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Moradores de Anchieta reivindicam memorial em homenagem ao naufrágio do navio Guanabara

Por Fabiano Peixoto

Anchieta (ES) – Um episódio marcante da história marítima capixaba, que há mais de um século se mantém vivo na memória popular da comunidade da Praia da Guanabara, pode, em breve, ganhar o devido reconhecimento oficial. Moradores da região, liderados por representantes da Associação Praia de Guanabara e da Associação Naufrágio Guanabara, intensificaram a mobilização para a criação de um memorial em homenagem ao naufrágio do navio Guanabara, ocorrido em 1911.

À frente do movimento estão Wandinho, Senhor Alberto e Jaqueline, líderes comunitários que têm se dedicado a valorizar e preservar essa memória histórica. O navio Guanabara afundou transportando mantimentos, e os 27 tripulantes a bordo conseguiram sobreviver após uma noite de intensas adversidades no mar. Sem vítimas fatais, o episódio se transformou em símbolo de coragem e superação, além do nome da praia.

“É uma história que precisa ser contada e lembrada, principalmente pelas novas gerações”, destaca Wandinho, um dos articuladores da proposta. A ideia é instalar uma placa ou espaço dedicado à memória do ocorrido, como forma de valorizar o patrimônio imaterial da comunidade e reforçar a identidade cultural da região.

Além do apelo histórico, a Praia da Guanabara também se destaca por sua relevância ambiental. O local abriga o Instituto de Pesquisa e Conservação Marinha (IPCMAR), referência na proteção de espécies como a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta). A soltura dos filhotes ao mar, após o período de desova, é um dos eventos mais aguardados por moradores, turistas e estudantes, que lotam a faixa de areia todos os anos para celebrar a vida marinha.

Toda a praia até a Praia de Parati integra ainda uma área de proteção ambiental (APA) e por meio do Decreto Municipal nº 5523, que ampliou os limites da APA Tartaruga. A medida incorporou um terreno de 4.485 m² da Prefeitura de Anchieta para fins de gestão e educação ambiental.

A proposta do memorial, que já foi apresentada a autoridades municipais, segue aguardando o apoio do poder público e da sociedade civil para sair do papel. Para os defensores da iniciativa, reconhecer oficialmente o naufrágio do Guanabara é não apenas honrar o passado, mas também projetar a história de Anchieta para o futuro.

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