Polícia Civil do ES realiza operação e prende cinco membros de organização criminosa em Vila Velha
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), através do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), efetivou a prisão de cinco indivíduos suspeitos de fazer parte de uma organização criminosa que invadia e negociava ilegalmente terrenos no bairro Pontal das Garças, em Vila Velha. A operação, que culminou na prisão, ocorreu após uma série de investigações que duraram meses e foi detalhada em coletiva de imprensa realizada na última quarta-feira (29), na Chefatura de Polícia Civil, em Vitória.
Conforme os relatos da investigação, o grupo atuava na região há vários anos, intensificando suas atividades durante a pandemia, quando muitos proprietários passaram a visitar menos frequentemente seus imóveis. A organização identificava terrenos desocupados, promovia a limpeza das áreas, instalava placas de venda e revendia os lotes a terceiros, frequentemente compradores de boa-fé.
No dia 1º de abril deste ano, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Durante a ação, foram apreendidos diversos veículos, documentos, aparelhos celulares e R$ 29 mil em dinheiro, além de uma pistola calibre 9 milímetros.
O chefe do Deic, delegado Gabriel Monteiro, destacou que até o momento foram identificadas pelo menos 15 vítimas, composta em sua maioria por pessoas humildes que, por dificuldades financeiras, não conseguiam registrar a escritura de seus terrenos. A organização se aproveitava dessa situação para revender os terrenos a novos compradores. “O grupo obteve lucros que ultrapassam R$ 30 milhões”, declarou o delegado.
Além disso, as investigações revelaram uma divisão clara de tarefas dentro da organização. Entre os detidos estão pessoas encarregadas de intermediar as vendas, emitir certidões ideologicamente falsas e identificar terrenos vulneráveis. Um policial militar da reserva também foi preso por ser considerado o “braço armado” do grupo, responsável por intimidar as vítimas em situações de resistência.
A apuração também revelou que uma cooperativa, extinta desde 2015, continuava a emitir certidões fraudulentas de quitação. Esses documentos permitiam que novos compradores registrassem os imóveis na justiça, sem ter conhecimento da existência de proprietários anteriores.
Com a conclusão do inquérito, a PCES ressaltou que as escrituras obtidas nesse contexto são ideologicamente falsas, embora formalmente válidas. O delegado Monteiro explicou que essas informações são cruciais para a Justiça na resolução dos conflitos entre os envolvidos.
Além das prisões, foram solicitados bloqueios de contas bancárias e a apreensão de bens relacionados ao esquema, visando o eventual ressarcimento das vítimas. O delegado Gabriel Monteiro reforçou que as investigações continuam e que outros envolvidos já foram identificados. Ele orientou que qualquer pessoa que tenha sido vítima desse esquema entre em contato com a Polícia Civil.
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Polícia Civil do Espírito Santo prende cinco por invadir e vender terrenos ilegalmente em Vila Velha, gerando prejuízos a vítimas.
Fonte: Polícia Civil-ES.




