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Após décadas, reencontro familiar emociona e resgata legado de pescador capixaba em Marataízes

 

Por Fabiano Peixoto

Uma história marcada pela saudade, pelo trabalho no mar e pelo desejo de reencontro familiar ganhou um capítulo emocionante no litoral sul do Espírito Santo. Filhos do pescador João Fernandes Peixoto, natural de Barra do Itapemirim, em Marataízes, conseguiram, após décadas, conhecer parte da família paterna e resgatar suas origens.

Nascido em 4 de dezembro de 1930, João Fernandes Peixoto era filho de Zulmira Dutra Peixoto (Lili) e Nassem Fernandes (Manoel Gerôncio), de famílias tradicionais da antiga Barra. Iniciou ainda jovem sua trajetória como pescador, assim como outros membros da família. Registros apontam que seu primeiro embarque ocorreu em 1951, no porto de Barra do Itapemirim. Ao longo dos anos, percorreu diversas regiões do litoral brasileiro até se estabelecer, por volta da década de 1960, no estado do Rio de Janeiro, onde formou sua família na cidade histórica de Paraty.

João Fernandes Peixoto e sua esposa Darcy da Conceição (In memoriam)

Casado, construiu uma família numerosa com oito filhos. A rotina, no entanto, era marcada pela ausência: como pescador, passava longos períodos embarcado, chegando a permanecer cerca de 30 dias no mar e retornando por poucos dias antes de partir novamente.

“Vivemos mais com a nossa mãe. Meu pai era provedor, mas a vida dele era no mar, como a de tantos pescadores”, relembra a filha, Jane Peixoto.

A distância geográfica e as limitações financeiras impediram que João realizasse um de seus maiores desejos: levar os filhos para conhecer a família em sua terra natal. Ainda assim, mantinha viva a memória de seus parentes por meio de histórias contadas aos filhos, que cresceram conhecendo avós, tios e primos apenas pelos relatos.

Durante anos, o contato com os familiares foi praticamente inexistente. Uma tentativa de aproximação ocorreu há cerca de 25 anos, quando um dos filhos, Emanuel, visitou Barra do Itapemirim, mas encontrou dificuldades para estabelecer vínculos mais profundos.

O reencontro começou a se tornar realidade apenas recentemente, de forma inesperada. Durante um congresso em Balneário Camboriú, familiares identificaram o sobrenome Peixoto em uma apresentação e, a partir disso, iniciaram buscas que levaram ao contato com João Fernandes Peixoto Filho. A partir desse momento, a família deu início a um processo de reconexão.

Primeiro encontro

O ápice dessa trajetória aconteceu na última quarta-feira (29), quando parte dos filhos e netos viajou até Marataízes para conhecer parentes e revisitar as origens do patriarca. O grupo, que saiu da cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, foi recebido por familiares — entre primos de primeiro e segundo grau — e também por uma das irmãs de João Fernandes Peixoto ainda viva, Maria Ila, residente em Barra do Itapemirim. Outra irmã, Janira, conhecida como Mocinha, foi reencontrada no retorno ao Rio de Janeiro.

Maria Ila, residente em Barra do Itapemirim
Janira, conhecida como Mocinha, residente no Rio de Janeiro.

“Foi mais do que um encontro, foi um reencontro. Um resgate de uma história que não vivemos juntos, mas que sempre esteve no nosso coração”, destacou Jane.

Lorena, Louzada e primos Peixoto: Jane, Marlene e Fabiano

O pescador que saiu da Barra e constituiu família em Paraty, João Fernandes Peixoto, faleceu em 7 de maio de 1991, aos 60 anos, sem conseguir realizar o desejo de reunir a família. Mais de três décadas depois, seus filhos concretizaram esse sonho em um momento descrito como inesquecível.

Último registro fotográfico do pescador João Fernandes Peixoto, em Paraty no Estado do Rio de Janeiro junto a família.

O reencontro, segundo os familiares, marca o início de uma nova fase, com a promessa de manter os laços fortalecidos e ampliar o contato com outros parentes.

“Cumprimos o desejo do coração do nosso pai. E agora, jamais vamos abrir mão de manter essa ligação com a nossa família”, concluiu Jane Peixoto.

Primos: Marlene Peixoto, Fabiano Peixoto e Jane Peixoto em visita ao Porto da Barra.

Os avós Nassem Fernandes (Manoel Gerôncio) e Zulmira Dutra Peixoto (Lili) residiram durante toda a vida na tradicional Rua Capitão Miguel Assad, localizada no coração da antiga Barra, em Marataízes.

filhos do casal João e Darcy: José Carlos, Márcia, Marlene, Jane, João Fernandes Peixoto Filho, Emanuel, Deise e Luiz Carlos — além de ter criado Carlinhos, filho de sua esposa Darcy, como se fosse seu próprio filho.

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