Por Fabiano Peixoto
Marataízes – O aparecimento de baleias-jubarte mortas no litoral do Espírito Santo, como o caso registrado nesta semana em Marataízes, chama a atenção de especialistas e ambientalistas para um fenômeno que pode ter múltiplas origens. Embora nem sempre seja possível determinar de imediato a causa da morte — sobretudo quando os animais já estão em estado avançado de decomposição —, estudos apontam que os fatores vão desde questões naturais até interferências humanas.
Entre as causas naturais estão doenças, envelhecimento e desnutrição. Filhotes, por sua fragilidade, são os mais vulneráveis. Já os animais adultos podem sofrer com dificuldades de acesso ao alimento em razão de alterações na cadeia alimentar.
Por outro lado, as ameaças relacionadas à atividade humana representam um peso significativo. O emalhamento em redes de pesca é uma das principais ocorrências, levando os animais à morte por afogamento, ferimentos ou inanição. Também são comuns colisões com embarcações, sobretudo de grande porte, que podem causar traumas fatais. A poluição, seja sonora — provocada por tráfego marítimo, sonares e atividades sísmicas — ou química, também compromete a saúde e o comportamento das baleias.
O turismo desordenado, com embarcações que se aproximam em excesso, gera estresse e pode interferir nas rotas migratórias. Além disso, encalhes, alterações climáticas e mudanças nos padrões oceânicos afetam diretamente a sobrevivência desses animais.
Segundo especialistas, o aumento no número de mortes não significa, necessariamente, um retrocesso. Com a recuperação da população da espécie após décadas de caça predatória, o número absoluto de registros de encalhes e óbitos também cresce. Instituições como o Instituto Orca e o Projeto Baleia Jubarte realizam monitoramento contínuo e buscam identificar as causas de cada ocorrência, contribuindo para estratégias de conservação no litoral brasileiro.




