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Cieps celebram 40 anos como modelo de educação no Brasil.

Cieps: 40 Anos de Transformação na Educação Pública do Rio de Janeiro

Os Centros Integrados de Ensino Público (Cieps), conhecidos popularmente como "Brizolões", completam 40 anos em 2025, sendo considerados um marco na história da educação brasileira. Este modelo educacional, idealizado na década de 1980, foi responsável por introduzir o conceito de escolas em tempo integral no Brasil, expandindo o debate sobre a educação pública de qualidade no país. Com arquitetura assinada pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer, os Cieps apresentavam prédios retangulares de concreto, amplos pátios e janelas com bordas arredondadas, que se tornaram parte do visual urbano do Rio de Janeiro.

O primeiro Ciep foi inaugurado no Catete em 1985, e desde então, 506 unidades foram entregues durante os mandatos de Leonel Brizola. Apesar de suas origens, o modelo sofreu alterações ao longo dos anos e hoje nem todas as escolas oferecem o ensino em tempo integral como originalmente previsto. Atualmente, os Cieps enfrentam novos desafios, incluindo a gestão sob administrações municipais e estaduais, e a necessidade de adaptação às diretrizes educacionais atuais.

O conceito de educação integral, que permitia a oferta de atividades culturais e esportivas, além de alimentação e atendimento médico aos alunos, continua a ser referência e inspiração para políticas públicas no Brasil. De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE), a meta é que, até o final deste ano, 50% das escolas possuam pelo menos 25% dos alunos em tempo integral, um percentual que em 2023 era de 30,5%.

A professora Lia Faria, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que atuou junto ao ex-ministro da Educação Darcy Ribeiro na idealização do projeto, destaca que o modelo foi fundamental para democratizar o acesso à educação de qualidade em um Brasil recém saído da ditadura militar. A pedagoga e secretária de Educação do Estado, Roberta Barreto, aponta os Cieps como “a maior proposta pedagógica do Brasil na década dos 90”, enfatizando a estrutura diferenciada que esses edifícios forneciam para a educação.

Apesar das transformações e críticas que receberam ao longo dos anos, os Cieps ainda servem como um lembrete palpável da importância da educação integral e continuam a ser um ponto de referência na formação educacional atual, inspirando iniciativas como os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs). Esses novos modelos buscam incorporar inovações tecnológicas e pedagógicas, em um esforço para modernizar ainda mais a educação pública brasileira.

Mudanças e Desafios das Últimas Décadas

Com o passar do tempo, a gestão dos Cieps foi transferida para diferentes esferas, e suas atribuições foram modificadas. A proposta original de oferecer saúde e assistência social ligada ao ambiente escolar foi sendo diluída em governos subsequentes. Atualmente, há uma mistura de gestão municipal, estadual e federal, bem como uma diversificação das funções de algumas unidades, que agora incluem escolas cívico-militares, interculturais, e Escolas de Novas Tecnologias e Oportunidades (E-Tecs).

No nível municipal, a maior parte dos Cieps opera em turno único, com apenas uma fração oferecendo educação integral. O secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, menciona que a busca por manter os princípios do Ciep ainda é uma prioridade nas políticas locais, e que os GETs representam uma continuidade daquele modelo, mas voltados para um novo século educacional.

Ainda que a proposta de integração com a comunidade persista, o engajamento da população e a conscientização sobre a importância da educação em tempo integral ainda apresentam barreiras. Os índices de evasão nas escolas com este modelo permanecem altos, desafiando educadores e gestores a implementar estratégias que mantenham alunos engajados neste tipo de ensino.

A Integração da Comunidade

O espírito de comunidade que permeia a filosofia dos Cieps é mantido em algumas unidades, como o Ciep 449 – Governador Leonel de Moura Brizola, em Niterói. O diretor da escola, Cícero Tauil, afirma que a integração e utilização dos espaços da escola pela comunidade são fundamentais para o desenvolvimento social. "Aqui tem festa de casamento, batizado, e até baile funk", explica.

Além de atuar como espaço de convivência, a escola também estimula a autonomia entre os alunos, que se responsabilizam por cuidar do ambiente escolar. Esta abordagem tem contribuído para o reconhecimento da unidade em diversas competições, refletindo o impacto positivo que a educação integral pode ter na formação de uma nova geração de cidadãos.

Os estudantes do Ciep 449, como Bernardo Marinho e Lara Shupingahua, atestam as oportunidades que a experiência educacional lhes proporcionou, desde intercâmbios até a participação em atividades culturais e esportivas, demonstrando como o legado dos Cieps ainda se faz presente na prática diária da educação no Brasil.

O percurso das escolas integradoras de ensino no Rio de Janeiro ao longo dos últimos 40 anos ilustra uma história rica e complexa, marcada pela busca incessante por melhorias e igualdade no acesso à educação pública, temas que continuam a ser relevantes na agenda do país.

Cieps em Niterói
Alunos em sala de aula no Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 001, no Catete, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Cieps completam 40 anos como projeto de referência para educação

Fonte: Agencia Brasil.

Educação

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