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Cineasta de Marataízes é Destaque no Festival de Cinema de Vitória

A cineasta, diretora criativa e produtora cultural Mariana Costa segue ampliando o debate sobre cultura e representatividade no cinema com sua atuação no filme “O Deserto de Akin”, obra capixaba que conquistou dois prêmios no 31º Festival de Cinema de Vitória: Melhor Filme pelo Júri Popular e Melhor Fotografia, evento ocorrido de 19 a 24 de julho.

O longa, que aborda a trajetória dos médicos cubanos no Brasil sob uma perspectiva sensível e crítica, tem ganhado destaque por onde passa.

Mariana Costa é um dos nomes por trás de “O Deserto de Akin”. Com um trabalho consistente no fortalecimento da produção audiovisual capixaba, ela integra o projeto com a missão de dar visibilidade a histórias marginalizadas, levando o olhar capixaba para o mundo.

“Acreditamos no poder do cinema como instrumento de transformação. Contar histórias como a dos médicos cubanos nos ajuda a entender melhor os impactos das políticas públicas na vida real das pessoas”, afirma Mariana.

Quem é Mariana Costa?

Cineasta, produtora cultural e comunicadora, Mariana Costa tem se destacado na cena
audiovisual, integrando produções exibidas em mais de 100 festivais ao redor do mundo.
Aos 24 anos, atua entre São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro, para publicidade,
conteúdo, cinema, TV, teatro, festivais de música e projetos socioculturais.

Mariana começou sua trajetória artística aos 5 anos, como MC Mariana, com músicas que
tocavam nos bailes funks do sul do Espírito Santo. Aos 13, seguiu pela poesia e pelo teatro,
dando continuidade à história de sua avó, Maria do Carmo Vapor da Costa — que presidiu
por 20 anos a escola de samba Esplendor da Noite, em Marataízes — e de seu pai,
Wallace Spyrro — ex-MC e vocalista da banda Esperamaré. Hoje, desponta como uma das
mulheres negras mais jovens a dirigir filmes e atuar no mercado audiovisual e cultural
capixaba, ampliando o acesso da juventude ao setor.

Ao longo dos últimos cinco anos, colaborou com grandes produtoras, instituições e marcas
como Natura, Museu Vale, Canal Brasil, Black Pen Filmes, GNT, Sesc, Heinrich Boll Brasil,
Grupo O Boticário, Globoplay e Salon Line, consolidando uma trajetória marcada por
criatividade, impacto social e reconhecimento internacional.

Entre seus feitos mais notáveis está sua atuação na equipe da campanha “Respeita Meu
Capelo”, da Vult — vencedora, de três Cannes Lions, o mais importante prêmio da
publicidade mundial, realizado na França.

Reconhecida como a mulher negra mais jovem do Espírito Santo a participar de um projeto
premiado em Cannes por dois anos consecutivos, Mariana tem se firmado como um nome
que rompe fronteiras — representando Marataízes, a juventude e as potências negras no
audiovisual brasileiro.

Aos 21 anos, produziu seus primeiros longas-metragem e dirigiu o curta-metragem
Emaranhadas, premiado e exibido no Canal Brasil e na Mostra SESC de Cinema. O filme
continua circulando em mostras pelo país, como símbolo de ancestralidade, narrativa negra, feminina e coletiva.

Mariana também é diretora de criação e uma das idealizadoras do Festival Cultural
Caranguejo Azul e Circuito Cultural Escolar, ao lado de seu pai, Wallace Spyrro e de
seu parceiro Rovisney de Almeida. As iniciativas conectam música, educação sobre os
manguezais, cinema, educação e políticas públicas em espaços populares e escolares.

Na última quinta-feira, foi premiada pelo terceiro ano consecutivo no Festival de Cinema de
Vitória. Desta vez, ao lado do diretor Bernard Lessa e do protagonista Reynier Morales,
receberam os prêmios de Melhor Filme e Melhor Fotografia pelo longa-metragem “O
Deserto de Akin”.

Premiado internacionalmente, o filme estreia nas salas de cinema no dia 31 de julho de
2025 e traz no elenco Guga Patriota, a atriz global Ana Flávia Cavalcanti e o ator Welket
Bungué.

Em entrevista recente ao podcast Papod Preta, Mariana compartilha reflexões sobre
representatividade, família, trajetória artística, racismo nos bastidores, os desafios de dar
continuidade a obras negras, processos criativos e o poder de potencializar artisticamente a
juventude dos interiores.

A entrevista já ultrapassou 30 mil visualizações nas redes sociais e YouTube, ampliando o
alcance do tema e fomentando o debate público, encorajando a denúncia a casos de
racismo nos sets de filmagem e em projetos socioculturais.

“Nós (produtores socioculturais) não estamos levando cultura a lugar nenhum; a cultura é
viva e ela existe nos corpos pretos e nos corpos dissidentes do Brasil inteiro. Ela não
precisa que uma pessoa branca vá colonizá-la. A visão de quem vive nos territórios é
importante por si só e o poder de produzir nossas narrativas deve estar também nas nossas mãos”, comenta Mariana.

Trechos da entrevista estão disponíveis em seu Instagram (@marianxco), e a versão
completa pode ser acessada no YouTube do canal Papod Preta.

Em paralelo, Mariana se prepara para novos voos: atua na produção de um novo
longa-metragem no Rio de Janeiro e produz a próxima campanha da marca de beleza
Salon Line, com gravações em São Paulo.

Serviço:

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