Uma rede de atenção primária multiprofissional especializada para atender pessoas com diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS), com o investimento correspondente necessário, foi o apelo feito por associações voltadas para pacientes com alta taxa de açúcar no sangue, o diabetes mellitus.
A reivindicação foi apresentada na reunião da Frente Parlamentar para Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Diabetes da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Gandini (Cidadania). O encontro ocorreu nesta quarta-feira (31), no Plenário Rui Barbosa da Ales.
Gandini, que tem diabetes do tipo 2, explicou que a reunião foi solicitada pelas entidades de apoio aos pacientes com diabetes, para expor a situação do atendimento que vem sendo dispensado aos diabéticos no estado.
O deputado, como exemplo de atendimento inadequado, relatou ter descoberto que estava com diabetes por acaso. Somente depois de passar por um segundo atendimento é que foi diagnosticado com a doença crônica.
Equipe multiprofissional
Uma equipe de profissionais capacitados e uma linha de cuidado para onerar menos o SUS, por causa do retrabalho sem necessidade, foi a urgência levantada pela coordenadora da Coalizão Vozes do Advocacy em Diabetes e Obesidade, Vanessa Pirolo. A coalizão foi a autora inicial da reunião de hoje com apoio das associações capixabas. Há no país associações em 24 estados para fornecer ajuda aos diabéticos, com cerca de 31 mil associados.
Os profissionais que devem compor as equipes da rede de atenção especializada para atender as pessoas com diabetes são médicos endocrinologistas, nutricionistas, enfermeiros, psicólogos, oftalmologistas, cardiologistas e nefrologistas, enumerou Pirolo.
Segundo ela, os gastos do SUS no tratamento da doença são excessivos por causa das complicações resultantes do tratamento insuficiente por falta de equipe competente, gerando gastos desnecessários com internações, hospitalizações e mortes que poderiam ser evitadas.
Outro aspecto levantado por Vanessa Pirolo tem a ver com o diagnóstico precoce, não previsto na Lei 13.895, de 30 de outubro de 2019, que instituiu a Política Nacional de Prevenção do Diabetes e de Assistência Integral à Pessoa Diabética. Trata-se da exigência do teste de glicemia obrigatório nos atendimentos de urgências e emergências.
“O SUS é o sistema universal [de saúde] melhor do mundo, mas sabemos das lacunas e é preciso solucioná-las. Temos feito audiências públicas junto ao Ministério da Saúde e também temos discutido a questão da obesidade, que tem ligação estreita com a diabetes. Por que pedimos esta audiência com a frente? Porque nós temos problemas e precisamos solucioná-los. Essa frente parlamentar vai ajudar a colocar as políticas públicas para melhorar o acesso das pessoas que precisam de tratamento mais adequado no SUS”.
Pirolo informou que, em 2021, cerca de 214 mil pessoas morreram por complicações de diabetes no Brasil. A estimativa do Ministério da Saúde é de que 10% da população sofre de diabetes, embora a doença seja subnotificada. A retinopatia diabética (que causa perda progressiva da visão) afetou cerca de 150 mil pessoas ao ano no Brasil, de acordo com as informações apresentadas pela convidada.
Atenção primária
No Espírito Santo, estima-se que cerca de 6% ou 250 mil pessoas têm diabetes, de acordo com o subsecretário de Estado de Atenção à Saúde, Tadeu Marino. O subsecretário destacou que é necessário o controle social e que a saúde pública é de responsabilidade da União, estados e municípios. Nesse tripé, apontou, o município tem papel fundamental porque é ele o responsável pela atenção primária.
“A atenção primária é gestão municipal, não é estadual. A atenção primária é fundamental porque ela ordena e organiza o sistema de saúde. E em qualquer doença existe uma coisa chamada linha de cuidado”, explicou o subsecretário, ilustrando que um paciente com maiores complicações deve ter preferência em relação àqueles com menor gravidade.
Tadeu Marino informou que 79% dos gastos em saúde no Espírito Santo são do governo estadual. A união contribui somente com 21%, informou, e que cerca de 1.200 pessoas no estado morrem em consequência do diabetes.
Capacitação
A coordenadora da Associação de Diabéticos do Espírito Santo (Adies), Lorena Bucher, destacou a necessidade de orientações, programa de educação e capacitação atualizada da rede básica de saúde.
“Queremos propor políticas públicas em saúde primária. As pessoas que nos procuram são pessoas com diabetes totalmente descompensada, que não conseguem assistência de oftalmologistas, de nutricionistas, nada!”, enfatizou Lorena Bucher, acrescentando que os profissionais precisam de treinamento para atender o paciente.
Fizeram uso da palavra também a subsecretária de Atenção Primária de Saúde de Vila Velha, Regina Célia; o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes Regional, Fernando Gustavo; e familiares de pessoas com diabetes.
Entidades que representam pacientes com a doença crônica apontaram falta de atendimento especializado para diabéticos
Diabéticos cobram serviço especializado na saúde
Fonte: Assembleia Legislativa do ES.
Para mais informações sobre a Assembleia Legislativa do ES acesse o site da ALES
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