O avanço decisivo para que Marataízes finalmente deixe de depender de Itapemirim no fornecimento de água e no esgotamento sanitário começou a se concretizar na tarde desta quinta-feira (27), às 15h30, em Vitória, com a assinatura do contrato entre o Governo do Espírito Santo e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O acordo estrutura o Projeto Universaliza.ES, que alcançará 32 municípios capixabas e coloca Marataízes — hoje o segundo mais populoso do sul do Estado — no centro de um processo histórico de transformação. Desde sua emancipação, Marataízes permanece vinculada ao SAAE de Itapemirim, modelo que não acompanhou o crescimento local e que há mais de uma década não realiza os investimentos necessários para garantir segurança hídrica, ampliação da rede e tratamento adequado de esgoto. A sobrecarga populacional, a expansão urbana e os sucessivos problemas estruturais tornaram o modelo insustentável, afetando saúde pública, qualidade de vida e o desenvolvimento do município.
Com o Universaliza.ES, o Estado busca cumprir as metas definidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020), que exige, até 2033, 99% de cobertura de água potável e 90% de coleta e tratamento de esgoto. Os estudos conduzidos pelo BNDES contemplam mais de 1 milhão de capixabas e incluem municípios atendidos por autarquias municipais, como Marataízes, além de localidades onde a Cesan opera sem contrato regularizado, como Presidente Kennedy, citado apenas entre os elegíveis. O banco será responsável por estudos técnicos, ambientais e econômico-financeiros, pela modelagem jurídica necessária para concessão ou PPP e pela preparação do processo licitatório que definirá o futuro operador dos serviços.
A iniciativa é liderada pela Secretaria de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (SEDURB), vinculada à Microrregião de Águas e Esgoto (MRAE/ES), que utilizará os estudos também para subsidiar o Plano Regional de Águas e Esgoto (PRAE/ES). Para Marataízes, trata-se de uma oportunidade histórica de romper definitivamente com o modelo dependente de Itapemirim, garantindo investimentos estruturantes, modernização dos sistemas e segurança no abastecimento, abrindo caminho para um novo capítulo no desenvolvimento sanitário e urbano do município.




