Ex-prefeito é apontado por usar cargo público para promoção política durante expediente da Ales-ES, enquanto ignora responsabilidade por anos de abandono da comunidade
Por Fabiano Peixoto
Marataízes – Uma mobilização de moradores da Comunidade do Pontal, em Marataízes, baseada em informações equivocadas sobre supostas demolições de residências, levantou suspeitas sobre uma ação orquestrada com fins políticos pelo ex-prefeito Robertino Batista da Silva, o Tininho (PSB). A articulação, segundo fontes ligadas à administração municipal, teve como objetivo gerar desgaste à atual gestão e reacender protagonismo político para Tininho, que já declarou publicamente sua intenção de disputar uma vaga como deputado estadual em 2026.

A mobilização foi incentivada com alegações de que a prefeitura estaria promovendo a derrubada de casas habitadas em uma área anteriormente invadida, o que não corresponde à realidade dos fatos apurados. A situação gerou tensão entre os moradores, que foram levados a acreditar que perderiam suas casas, sem respaldo em qualquer decisão judicial ou ato administrativo de remoção de imóveis consolidados.
A disseminação da desinformação contou com a participação ativa do radialista Chales Barbosa, que deu ampla cobertura ao caso por meio de programa em rádio local ao vivo, reforçando as narrativas alarmistas sem apresentar provas ou ouvir versões oficiais da prefeitura. Contribuindo diretamente para o clima de insegurança instalado no Pontal.

O episódio revela uma contradição alarmante: enquanto hoje Tininho se apresenta como defensor dos moradores, durante seus quase 11 anos de gestão, ele foi omisso diante da necessidade urgente de implantação de uma creche na comunidade do Pontal, que enfrenta significativo crescimento populacional. Mesmo após a prefeitura, ainda sob sua gestão, adquirir o terreno e firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público para a construção do equipamento público, a obra jamais saiu do papel.
O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado no dia 12 de abril de 2017, pelo então promotor de Justiça Airton Faria de Sousa, pelo prefeito municipal à época, Robertino Batista da Silva, e pela secretária municipal de Educação, Maria da Penha Silva Louback. (Veja e baixe o TAC abaixo da matéria).
A área, deixada sem destinação adequada, acabou sendo alvo de ocupações irregulares. A omissão do ex-prefeito nesse processo pode configurar ato de improbidade administrativa, crime comum ou crime de responsabilidade, a depender da análise do Ministério Público e das autoridades competentes.
Uso de cargo público para promoção pessoal
O episódio se agrava diante do fato de que Tininho concedeu entrevistas em uma rádio local durante o horário de expediente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales-ES), onde atua como assessor júnior de secretaria. Nomeado para uma função com jornada de 40 horas semanais, jornada diária de 8h – função exige presença física e dedicação exclusiva no expediente – e salário superior a R$ 3.600, além de benefícios, ele é acusado de mentir ao afirmar que estaria atuando em um suposto projeto na “Casa dos Municípios”, da Assembleia.
A incompatibilidade entre as declarações públicas de Tininho e os registros oficiais da Ales-ES pode resultar em apuração administrativa e gerar constrangimentos institucionais. O uso indevido da estrutura do poder legislativo estadual para fins de autopromoção e campanha antecipada configura violação ética e pode ser objeto de denúncia formal.
População ainda sem creche após quase uma década de promessas
A comunidade do Pontal segue, até hoje, sem uma creche pública que atenda às famílias da região. Moradoras e mães denunciam que foram inúmeras as promessas feitas ao longo da última década, mas nenhuma política pública efetiva foi implementada. A nova administração municipal tenta reverter esse quadro e atender a demanda reprimida, enfrentando, no entanto, resistência de setores ligados ao ex-prefeito.
O caso escancara a instrumentalização da carência popular como ferramenta política e reacende o debate sobre o uso eleitoreiro da máquina pública por agentes que deveriam zelar pelo bem coletivo, e não pela perpetuação de seus projetos pessoais de poder. A população do Pontal, mais uma vez, paga o preço pela omissão e manipulação.
A prefeitura se manifestou através de Nota Oficial sobre ação na comunidade e não oficialmente sobre as declarações do ex-prefeito. Já a Assembleia Legislativa, segundo apuração preliminar, poderá abrir procedimento interno para averiguar a conduta funcional de assessor júnior de secretaria, Tininho.
Clique na imagem e baixe o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado no dia 12 de abril de 2017, pelo então promotor de Justiça Airton Faria de Sousa, pelo prefeito municipal à época, Robertino Batista da Silva, o Tininho.





