No último sábado (22), o ex-prefeito de Marataízes, Tininho Batista (PSB), resolveu celebrar mais um ano de vida naquele terreno na Praia dos Cações. Tudo certo, nada de anormal. Afinal, todo mundo tem o direito de apagar velinhas. Mas eis que surge uma publicação anunciando sua suposta pré-candidatura a deputado estadual. E aí, o enredo muda completamente.
Antes de sonhar com um novo cargo, Tininho deveria ter se preocupado com o que fez no passado recente. Primeiro, suas contas ainda dependem da aprovação da Câmara de Vereadores, o que já coloca uma pulga atrás da orelha. Segundo, a herança deixada por ele na gestão municipal é de fazer qualquer um chorar: uma dívida de R$ 150 milhões e um rastro de abandono que transformou Marataízes em um caos administrativo.
A resposta da população veio nas urnas. A derrota de seu candidato por uma diferença histórica de 5.028 votos mostrou exatamente o que os moradores pensavam. E, como se não bastasse, a situação ficou ainda mais evidente depois. Se ainda restava alguma dúvida, o baixo público em sua festa de aniversário deu a resposta final. No lugar de multidões e apoiadores fervorosos como no passado, apenas alguns poucos gatos pingados marcaram presença. Triste, não fosse a família para consolá-lo!
O problema se agrava ao lembrarmos que Tininho não deixou apenas contas a pagar, mas também uma população inteira sem serviços básicos. Sem médicos, sem ambulâncias, sem medicamentos, sem dinheiro, sem combustível, sem carro para a perícia no INSS, sem cestas básicas… Sem nada! E agora ele quer voltar como se nada tivesse acontecido? Como se sua gestão tivesse sido um grande sucesso?
Muitas pessoas ainda lamentam o que viveram nos últimos meses de seu governo. Eu mesmo ouvi diversos desabafos, muitos vindos de seu próprio grupo, todos com o mesmo tom de decepção: “Tininho não soube perder. Ele não poderia ter feito isso.” Esse sentimento de traição e abandono foi o verdadeiro presente que ele deu ao povo de Marataízes antes de deixar a prefeitura.
Se o aniversariante esperava aplausos e euforia como no passado, encontrou apenas o eco do seu descrédito. E, pelo visto, seu futuro político pode ser tão solitário quanto seu último discurso de aniversário.
Por Fabiano Peixoto / Jornalista / Editor Chefe do Capixaba News




