Mutirão para plantar árvores, conscientização sobre anfíbios e répteis e a importância da compostagem urbana. Dando um respiro em reuniões e pautas de “cobranças”, a Comissão de Meio Ambiente conheceu nesta quarta-feira (2) três iniciativas tocadas por entidades no estado que fazem a diferença na área.
O primeiro projeto foi o “Plantio Brasil”, apresentado pelo coordenador da rede, Carlos Humberto Oliveira. Em junho de 2019, Oliveira começou com um pequeno mutirão na cidade de Santa Teresa, na região serrana, de plantios de árvores. A ideia encontrou seus pares e alcançou 14 estados da federação e conta atualmente com grupos de voluntários plantadores em 64 dos 78 municípios capixabas. A meta do projeto é plantar 5 milhões de árvores até 2030 no ES.
“Quando você vê alguém abraçando árvore, é porque é livre. A verdadeira liberdade está em você fazer o que você gosta, prazeroso, que não faz mal a ninguém. Pelo contrário, faz bem não só a você mesmo, mas faz bem principalmente à coletividade. E mexer com árvore, é mexer com água, é mexer com alimentação, é mexer com tanta coisa”, lembra o advogado ambientalista.
Mas, além da importância e do impacto que medidas de reflorestamento trazem, o entusiasta Carlos Humberto também trabalha com a necessidade de mensuração desses resultados. Sua atual iniciativa, o aplicativo GeoPlantio, a ser lançado ainda neste mês de agosto, trata-se de uma startup com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Espírito Santo (Fapes) e já cadastrada na Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secti).
“E aí, o seu plantio? Bem, onde você está plantando? O que está acontecendo? Como é que estão essas plantas?”. Elencando essas perguntas, o convidado afirmou que nem mesmo o governo estadual hoje consegue dar números reais e atualizados sobre o reflorestamento no ES, o que seria um exemplo de gargalo para a prática.
Cobras e sapos
Empatia e responsabilidade ambiental com os estigmatizados anfíbios e répteis são a tônica da segunda iniciativa, o Instituto Biodiversidade Neotropical (IBN), apresentado pelo biólogo, pesquisador e conservacionista zoólogo Thiago Silva Soares. Presidente do IBN, Soares contou que a entidade nasceu em 2022, “fruto” do Projeto Herpeto Capixaba de 2017.
Ambas as iniciativas surgiram para buscar preencher lacunas de estudos e conservação das espécies-alvo, com impactos tanto na questão ambiental, quanto na saúde pública em razão de animais peçonhentos. Trabalhando com difusão científica, documentários, imprensa, reportagens, redes sociais, tirinhas e realizações de congressos on-line, o instituto já conta com uma equipe de 50 pessoas envolvidas.
“Começamos com pesquisa das diversidades às adversidades. Então não só conhecendo o que tem de anfíbio, o que tem de réptil, mas qual espécie é ameaçada, é rara. Começamos a escrever espécies novas, mas também entender os efeitos e detalhes que esses animais estão passando por aqui. Então, atropelamento, espécies malformadas, por que elas estão assim no nosso estado? Espécies desaparecidas e que necessitam de atenção”, explicou o especialista.
O trabalho passa por catalogar as potenciais áreas de ocorrência de cada espécie, desmistificar a presença de certos tipos de cobras peçonhentas em regiões que elas dificilmente são de fato encontradas, por exemplo. “A partir do momento que a gente sabe, identifica os pontos, a gente também consegue fazer predições através de modelagem de onde elas também podem ser encontradas”, explicou.
No caso das serpentes, um catálogo eficiente não só pode ajudar a conscientizar a população de quais realmente são perigosas, diminuindo as mortes desses animais, como também pode melhorar a distribuição de soros antiofídicos na saúde pública.
“Quais serpentes são responsáveis pelo maior número de casos? Em qual época do ano esse acidente ocorre mais? Quais pessoas são mais cometidas? Em suma, qual serpente já picou quem? Onde ficou? E assim começamos a ter todo um panorama pra poder trabalhar com a comunidade”, defende o pesquisador.
Atualmente o IBN não tem nenhuma parceria ou convênio com prefeituras ou governo estadual e seu maior desafio seria a falta de recursos para bolsas, honorários e serviços terceirizados.
Compostagem
Fechando a rodada de bons exemplos quando o assunto é meio ambiente, a terceira iniciativa apresentada foi o “Folha Composta”, projeto capixaba que busca incentivar a compostagem urbana. Conforme explicou o educador e gestor ambiental João Pedro Jobim, embora o conceito da prática seja muito conhecido no meio rural, o tema ainda requer didatismos na cidade, para “não apenas produzir composto, mas gerar uma nova cultura sobre o destino dos resíduos”.
Inspirado numa gestão comunitária apelidada de “Revolução dos Baldinhos”, caso de sucesso em 2008 na comunidade Santo Cristo, de Florianópolis (SC), o Folha Composta começou em 2019 e busca oferecer serviço de coleta personalizada, já atendendo 70 residências de alguns bairros em Vitória e Vila Velha. O local de compostagem, por meio de parceria, fica em Cariacica.
O envio do resíduo orgânico in natura para a compostagem ajuda a mitigar os efeitos do aquecimento global. Segundo a Associação Brasileira de Compostagem, 170 quilos de matéria orgânica são descartados por pessoa anualmente no País.
“Ao invés de um equivalente sanitário ser enterrado e gerar principalmente o gás metano, que é 20 vezes mais poluente que o próprio gás carbônico, estamos desviando a via. No lugar de colocar o gás enterrado, ou para um lixão, ou para um ponto viciado, estamos desviando a rota, fazendo a compostagem, e isso gera impacto de carbonos equivalente”, explicou Jobim.
O especialista pondera que a sociedade brasileira foi habituada com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) a separar resíduos em duas frações apenas – resíduos secos e resíduos úmidos. Mas, quanto à composição dos úmidos, são encontrados não só os orgânicos compostáveis, mas também restos de banheiro, bituca de cigarro, e outros materiais que inviabilizam uma compostagem limpa e sadia.
A reunião da Comissão de Meio Ambiente contou com a presença dos deputados Gandini (Cidadania), Iriny Lopes (PT) e Lucas Polese (PL). Representando o Poder Executivo estiveram presentes também a subsecretaria de Estado de Biodiversidade, Fabiana de Mendonça Cruz, e a gerente de Biodiversidade e Biotecnologia, Thais de Assis Volpi.
Iniciativas que tratam de plantio de árvores, pesquisa sobre répteis e compostagem urbana foram apresentadas em reunião nesta quarta (2)
Comissão conhece ações em prol do meio ambiente
Fonte: Assembleia Legislativa do ES.
Para mais informações sobre a Assembleia Legislativa do ES acesse o site da ALES
Comissão conhece ações em prol do meio ambiente



