Reino Unido muda posição sobre o Saara Ocidental e apoia plano de autonomia do Marrocos
O governo do Reino Unido anunciou uma mudança significativa em sua posição histórica a respeito do Saara Ocidental, uma região envolta em um conflito que se arrasta há cinco décadas. Durante visita a Rabat, capital do Marrocos, o ministro das Relações Exteriores britânico, David Lammy, expressou o apoio ao plano de autonomia limitada proposto pelo governo marroquino para a área, que é alvo de disputas entre o Marrocos e a Frente Polisário, um grupo armado que luta pela independência do povo que habita a região. Até então, a posição britânica era favorável à realização de um referendo sob a supervisão da ONU para determinar o futuro do território, um pleito que nunca se concretizou devido à falta de consenso sobre suas regras.
Em seu pronunciamento, Lammy destacou a importância de criar uma "solução duradoura" para a disputa, que, segundo ele, proporcionaria um futuro melhor para os habitantes do Saara Ocidental. O Reino Unido, seguindo o exemplo de países como Estados Unidos, França e Alemanha, agora considera o plano de autonomia marroquina, apresentado em 2007, como a proposta mais viável para resolver o conflito. O governo britânico enfatizou a necessidade de um acordo que seja "mutuamente aceitável" para todas as partes envolvidas.
A decisão coincide com um anúncio de investimentos em infraestrutura no Marrocos, parte dos preparativos para a Copa do Mundo de 2030, que será co-sediada pelo país, Espanha e Portugal. O governo britânico planeja destinar 33 bilhões de euros a contratos com empresas inglesas nos próximos três anos.
A Argélia, país vizinho que apoia a independência do Saara Ocidental, criticou a nova posição do Reino Unido, afirmando que o plano de autonomia marroquina nunca foi submetido a referendo e não é considerado uma solução credível para o conflito. A chancelaria argelina ainda expressou que, apesar do apoio, não houve reconhecimento da soberania marroquina sobre a região, mantendo a sua postura de contra a ocupação do território.
Para Ahmed Mulay Ali Hamadi, representante da Frente Polisário no Brasil, a comunicação do Reino Unido deve ser interpretada com cautela. Ele afirma que, embora o Reino Unido demonstre apoio à autonomia marroquina, a Coroa britânica reforça a necessidade de um entendimento entre as partes em conflito. Historicamente, o Marrocos tem sido acusado de utilizar a diplomacia para distorcer a percepção pública sobre os direitos do povo saarauí.
Mohammed Nadir, historiador marroquino e professor da Universidade Federal do ABC Paulista, considera que a nova posição do Reino Unido representa uma vitória para o Marrocos e uma derrota para a Frente Polisário e a Argélia. Ele também avalia que a proposta de um referendo se tornou inviável, justificando a atual busca por uma solução negociada.
O Saara Ocidental, que se estende por aproximadamente 266 mil quilômetros quadrados, é visto como a última colônia na África. O conflito entre o Marrocos e a Frente Polisário remonta a 1975, quando o território passou a ser controlado pelo Marrocos após a retirada das tropas espanholas, levando à luta pela independência. Desde então, a região tem enfrentado uma guerra de baixa intensidade, com implicações significativas para os cerca de 600 mil habitantes locais.
A Frente Polisário, que proclama a República Árabe Saarauí Democrática, tem solicitado o reconhecimento internacional de seus direitos e a realização de um referendo para determinar o futuro da região. Contudo, a proposta de autonomia do Marrocos, agora apoiada por várias potências ocidentais, sugere um caminho alternative que pode afetar o futuro do Saara Ocidental e seu povo.
![]()
Reino Unido decide apoiar plano do Marrocos para Saara Ocidental
Fonte: Agencia Brasil.
Internacional


